quinta-feira, 30 de julho de 2009

Histórias da minha infância (saudades do Afonsinho)

No dia 28 de junho de 2009 fez 45 anos que morreu vítima de acidente de automóvel um dos melhores amigos da minha infância, que não era criança nem adolescente como eu durante o período que nos relacionamos. Falo do Afonso Dias, o Afonsin, farmacêutico mais conceituado de Além Paraíba, minha terra natal, em Minas Gerais, na primeira metade da década de 60. Naquele 28 de julho Afonsinho voltava a cidade depois de uma viagem para visitar sua irmã Maria, que sofria do coração, e o carro em que viajava, dirigido por um amigo, bateu num poste na antiga rodovia Rio-Petrópois, a União Industria. Alí chegava o fim a vida do farmacêutico mais humanitário que conheci, que atendia ricos e pobres com a mesma dedicação. No interior um bom farmacêutico fazia papel de médico. E que cá pra nós, continua fazendo. Foi na casa do Afonsinho que eu assisti televisão pela primeira vez. Atraído pela batata frita, pipoca e refrigerante servidos durante o um jogo de víspora (Loto ou Bingo) - além de doces ou sorvetes, tudo o que agrada criança, comecei a frequentar a casa dele e sua esposa, Dona Glorinha, e conviver com várias pessoas, todas adultas. Na mesa da copa ou na mesa da sala o pessoal se reunia para marcar, sem valer dinheiro, apenas por prazer, para marcar os cartões com caroço de feijão ou de milho. Alí aprendi que quaraquaqua era 44, meio do saco era 45 e ronco do porco era o número 1. Dificil a pedra que não tinha apelido. O apelido do 15 era Quinzinho Gabri, uma referência a um morador ilustre da cidade. Graças a meu pai, seu Guanair, aprendi que torcer para o Flamengo é uma das coisas mais maravilhosas do mundo e por coincidência o farmacêutico Afonsinho era flamenguista "doente". Na casa dele ví o Flamengo ser campeão carioca em 1963, ao empatar com o Fluminense - de Escurinho - em 0 a 0. O goleiro Marcial garantiu o título do mais querido com defesas arrojadas, dignas de ser passadas no canal 100, antes dos filmes nos cinemas brasileiros, inclusive no Cine Brasil da minha cidade. Na roda de amigos do Afonsinho, o tricolor Paulo Pinto, técnico em eletrônica, e o dono de Hotel, Chachá (o pai) que me presenteou com a primeira bandeira do Flamengo que ganhei na vida. Aliás no caso do Afonsinho até o hino do Flamengo ele mudaria a letra; - uma vez Flamengo, Flamengo até depois de morto". Como acredito na vida após a morte, lembro um outro trecho do hino, também mudando a letra: - "eu, o Afonsinho e a nação rubronegra teriamos um desgosto profundo, se faltasse o Flamengo no mundo."

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