quarta-feira, 4 de março de 2009

Jornalismo dá prestígio, dinheiro não, com raras exceções (capítulo 2)

Quando o estudante, passando da adolescência para a fase adulta, começa a querer descobrir qual carreira vai seguir, logo aparece a primeira dúvida: qual profissão me dará mais chance de conseguir emprego? - e quanto conseguirei tirar de salário? - vou conseguir me manter sem a ajuda dos meus pais? - será que vou poder casar ou dividir um apartamento com a minha namorada? (os tempos mudaram); são as indagações feitas pelo (a) dito-cujo (a). De primeira posso adiantar que jornalismo não é uma profissão para você ganhar dinheiro, embora seja a carreira ideal para ter prestígio. Numa emissora de rádio, por exemplo, o salário médio pago hoje pela maioria não ultrapassa a dois salários mínimos. Quem dá sorte de trabalhar na Globo, como eu, consegue ganhar umm pouco mais, mas é necessário ter muita responsabilidade acima de tudo. Nos meus primeiros anos de Rádio Globo, quando estava começando a aperecer como reporter do Amarelinho (como é chamado o carro de reportagem da emissora) fui comprar pão numa padaria do Meier, na zona norte do Rio, e ouvi quando saia o comentário decepcionado do dono do estabelecimento: "reporter da Globo e andando com este corcel sem vergonha". Na época, casado de novo, meu salário mal dava para pagar aluguel e suprir as necessidades do dia dia. E olha que tinha dois empregos. Com o tempo, a medida que ia me destacando nas reportagens feitas na rua, os convites para trabalhar para políticos começaram a aparecer, mas eu, mineirinho honrado e de boa formação, temia que os convites fossem apenas para falar bem do político, afinal não é de hoje que político e seus assessores de imprensa têm fama de trabalhar pouco ou não trabalhar nada. Só aceitei o primeiro cargo público de confiança - não resistí, depois que nasceu minha filha Jaqueline e a despesa aumentou, mas como não queria ser fantasma trabalhava as horas exigidas (5 para jornalista) e com isso tinha pouco tempo para estudar mais, me especializar, ter mais lazer. Jornalista de Rádio e TV, ao contrário dos comunicadores de rádio (radialistas) não podiam fazer comercial. Com isso não ganhavam cachê. Uma minoria conseguia ganhar bem, ou muito bem. Na Rádio Globo tinham salários altos, acrescidos dos comerciais que vendiam) comunicadores como Haroldo de Andrade, Paulo Govanni, o locutor esportivo José Carlos Araújo, comentarista Washington Rodrigues - Apolinho - Waldir Vieira e Antonio Carlos, este último - c0m quem tenho a honra de trabalhar - é visto como o último comunicador desta safra dos chamados monstros sagrados da comunicação pelo rádio. De estilo eclétivo (popular) ele é hoje o comunicador de maior audiência do país (três horas diárias de programa) com uma média, só no Rio, de quase 500 mil ouvintes por minuto. Embora não revele seu salário, é sabido que trata-se do radialista que mais fatura hoje no Brasil. Quanto a TV as equipes de repórteres, redatores e apresentadores, são mais bem pagas que as do rádio - com algumas poucas exceções. A Rádio Globo é considerada a prima pobre das Organizações Globo (o Jornal também paga melhor - mas os salários mais altos do jornaismo radiofônico são pagos pela CBN - Central Brasileira de Notícias - também da Globo - a comentaristas que conseguiram mais expressão a nível de Brasil e alguns âncoras também. Em São Paulo o salário médio é maior que no Rio para justificar, inclusive, o fato de Sampa ser mais desenvolvida economicamente que a cidade maravilhosa.
- No próximo capítulo: Como exercer a profissão de jornalista numa cidade tão violenta como o Rio de Janeiro?

2 comentários:

Ronaldo Santos disse...

Legal, Gelcio! No aguardo do próximo capítulo!

Antônio Carlos é fantástico! Ele passa a alegria dele para os outros...

abraço

fernanda disse...

É interessante essa divulgação ,de como realmente é essa profissão.
ainda mais para uma pessoa como eu que quero seguir a profissão e vendo profissionais depondo como é;clareia mais as minha idéias.
Obrigada

Fernanda Mota