quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Jornalismo: vocação, talento e vontade (1)

As pessoas me perguntam: o que é necessário para se dar bem na profissão de jornalista? - e eu, depois de quase 30 anos de carreira, respondo de forma simples e objetiva, como deve ser o profissional de jornalismo. É necessário ter vocação, talento e vontade. Quando ainda fazia o curso científico no Colégio Além Paraíba, em Além Paraíba, Minas Gerais, viví um conflito comigo mesmo; meu pai queria que eu fosse maestro, afinal para que me formei em piano, teoria e harmonia musical, cursando 12 anos o Conservatório Brasileiro de Música? - só que no meu íntimo, a profissão que eu queria era o jornalismo. E mesmo tendo passado no vestibular de música para a UFRJ, deixando o meu pai muito feliz, acabei optando pelo jornalismo, cujo vestibular fui aprovado uma semana depois, para uma faculdade paga, particular. Meu pai, então, mesmo tendo num primeiro momento ficado contrariado, entendeu minha escolha e se esforçou o máximo, primeiro para conseguir o dinheiro da matrícula e depois para me manter no Rio. Mesmo eu tendo conseguido crédito educativo, que ele mesmo pagou durante os 4 anos que sucederam minha formatura, a despesa para manter um filho estudando numa cidade grande era (e continua sendo né) muito grande para quem não é de família rica. Mas o pouco entusiamo em relação a carreira escolhida por mim durou somente 7 ou 8 meses. Assim que no segundo período da faculdade, saiu na primeira página do ZN Jornal - um jornal do bairro de Madureira e adjacências, na zona norte do Rio de Janeiro, a minha primeira reportagem num jornal, a empolgação começou. Eu mesmo entregando um troféu (Troféu ZN Jornal) ao Galinho de Quintino, Zico, no início da carreira, que na época já se transfomara no maior craque do Flamengo, o clube mais popular do país. Quem poderia imaginar que aquele garoto franzino, descoberto pelo inesquecível Celso Garcia, se transformaria no maior ídolo da história do mais querido e um dos maiores do futebol mundial, com estátua até no Japão? - mas voltando a minha carreira, levei para Além Paraíba, 50 exemplares do ZN Jornal e a minha querida mãe - "Dona Carmita" ( na época Dona Chepa fazia sucesso numa novela da Globo) tratou de espalhar entre as amigas o jornal que trazia o filho dela ao lado do Zico, no Maracanã. Depois tanto ela como meu pai "Seu Guanair", passaram a acompanhar com muito entusiasmo a carreira do filho, principalmente depois que ele conseguiu emprego na emissora que depois dos áureos tempos da Rádio Nacional, se transformou na de maior audiência e maior prestígio do país, a Rádio Globo AM do Rio de Janeiro. Com o passar do tempo fui descobrindo que a escolha foi certa e para estar até hoje fazendo parte do elenco da Rádio Globo, atualmente com programação nacional numa rede de mais de 30 emissoras espalhadas pelo país, não tenho dúvida que para se dar bem na profissão é necessário VOCAÇÃO - voce precisa gostar muito do que faz - Talento - ter jeito pra coisa - e Vontade - dar o máximo que puder para vencer na atividade. No próximo capítulo: Jornalismo dá prestígio. Dinheiro não, com raras exceções.

2 comentários:

Cicero Cantarelli disse...

Meu querido concordo plenamente com vc para se ter sucesso em uma carreira é preciso ter vocação e fazer muito bem,pois hoje vc não precisa ser bom no que faz e sim o melhor no que vc faz.Por isso que hoje vc após 28 anos vc continua com credibilidade,pois vc faz com amor a profissão que escolheu.
Um abraço do amigo
Cicero Cantarelli

Anônimo disse...

Caro Gélcio,

Assim como você, vários de nós saimos em busca de uma formação profissional e os que tinhamos um objetivo definido,de coração, conseguimos...não podemos negar que o velho Crédito Educativo foi fundamental, pelo menos prás nós dois.
Não renegue a música, pois pelo menos prá tocadores de tambor nós servimos....e muito bem.
Só faltou você fazer dupla com seu pai como fotógrafo....e ele era dos bons.
Parabéns....abraço do amigo, colega de turma e de tambores Capeanos.
Helio Garcia Toledo
Patos de Minas-MG